Quercus quer fora do mercado milho suspeito de matar vacas na Alemanha
Lisboa, 16 Dez
A associação ambientalista Quercus pediu hoje ao Governo que retire do mercado todo o milho geneticamente modificado por suspeitas de que uma variedade utilizada em alimentos de consumo humano e rações tenha matado 12 animais na Alemanha.
"O Governo tem por obrigação zelar pela segurança alimentar básica" dos portugueses, defendeu, em declarações à Agência Lusa, Margarida Silva, da Associação Nacional de Conservação da Natureza - Quercus.
Na origem deste pedido está a suspeita de que uma variedade de milho transgénico (geneticamente modificado para ser mais resistente a insectos) aprovada na União Europeia tenha causado a morte de 12 vacas no estado de Hesse, Alemanha, entre 1997 e 2001.
Segundo a Quercus, as investigações realizadas até agora "excluíram outras possíveis razões para as mortes, como doenças comuns ou erros na prática pecuária".
As suspeitas recaem sobre uma variedade de milho transgénico (Bt-176) utilizada nas rações dos animais e produzido pela Syngenta (ex-Novartis), que, de acordo com a associação, pagou já uma indemnização ao agricultor alemão, embora se recuse a reconhecer oficialmente a sua responsabilidade.
Enquanto prosseguem as investigações, e não se sabe a real causa de morte dos animais, a Quercus pede que se retirem estes produtos da cadeia alimentar humana.
"Apesar de não estar provado que a causa da morte foi o milho transgénico, trata-se da elementar precaução enquanto esta situação não estiver resolvida, tirá-lo do mercado. O Governo tem de suspender a sua circulação, não pode arriscar", continuou Margarida Silva, apelando à acção do Ministério do Ambiente.
O milho Bt-176 está aprovado na União Europeia desde 1997, sendo utilizado tanto na alimentação humana como em rações animais.
A maioria dos produtores alimentares mais importantes, assim como as marcas próprias dos supermercados indicam já nos rótulos a presença de organismos geneticamente modificados (OGM) nos respectivos produtos quando esta é superior a um por cento.
No entanto, nas rações animais e óleos alimentares, por exemplo, essa rotulagem só vai passar a existir a partir do próximo ano.
Resultados de análises científicas citadas pela Quercus revelam que a proteína transgénica presente no milho Bt-176 não se degrada no aparelho digestivo como seria de esperar, aparecendo nos estômagos, intestinos e excrementos das vacas e ratos testados.
Para os ambientalistas, uma decisão do Governo neste caso é particularmente importante por estar para breve "a aprovação para fins alimentares de uma outra variedade de milho da Syngenta, o milho Bt-11, que forma o mesmo tipo de proteína transgénica".
Retirado de: http://www.agroportal.pt/x/agronoticias/2003/12/17b.htm
- Poderá este milho prejudicial à saúde dos humanos?



